Hospital condenado por fio de sutura esquecido no corpo de paciente

Tribunal condena Hospital por danos morais e materiais em consequência de material cirúrgico inadequado esquecido no corpo de idosa.

A Advocacia Cardinot ajuizou ação de reparação de danos morais em face do hospital no qual a paciente se submeteu a uma cirurgia ginecológica de histerectomia total, sofrendo, desde então, moléstia relacionada ao desenvolvimento de um processo infeccioso em seu organismo.

A perícia judicial constatou que o fio utilizado na cirurgia não seria absorvido, com os seguintes esclarecimentos:

“Quando os fios usados na sutura não são absorvíveis, eles devem ser retirados, pois ocorre uma reação inflamatória dando origem ao granuloma de corpo estranho, necessitando de outra cirurgia para a sua retirada, pois provocam muita dor e favorecem à infecção.”

Na 1ª instância a ação foi julgada improcedente, sendo, todavia, reformada, através de Acórdão unânime proferido pela 15ª Câmara Cível do TJ-RJ., nos autos da Apelação Cível nº 0011688-89.2008.8.19.0028.

No Julgado, o Desembargador Relator enfatizou:

Merece provimento.
É incontroverso que foi deixado no organismo da apelante o fio de sutura acostado às fls. 106, sendo ainda incontroverso que este fio de sutura causou em seu organismo granuloma. Em razão deste granuloma, veio a apelante a submeter-se a outra cirurgia em outro hospital, não estando ainda debelada a infecção resultante.
A relação entre as partes é, ademais, de consumo, sendo a apelante tomadora e a apelada fornecedora de serviço médico-hospitalar.
(…)
A responsabilidade da apelada é, destarte, objetiva. Para que surja sua obrigação de indenizar, basta que se comprove a ocorrência do dano, da conduta lesiva e o nexo causal, não sendo necessário indagar de culpa.
No caso vertente, afasto-me da conclusão a que chegou o d. magistrado.
Como bem explorado nas razões recursais, a própria apelada reconhece que a apelante procurou atendimento médico três meses após a cirurgia – fls. 61 – item 10. O que foi feito em Campos deveria já ter sido feito naquele momento e não o fez, ou seja, a retirada do ponto.
(…)
Grife-se que, embora possa ter passado despercebida a existência do ponto quando do momento próprio da retirada dos mesmos, é inegável e confessado que a apelante voltou a procurar o hospital mantido pela apelada.
Neste momento, ou seja, três meses após a cirurgia, não havia como não se proceder ao diagnóstico da presença do ponto e proceder à sua retirada.
Lembro que o ponto não era absorvível e sua presença no organismo certamente causaria a infecção que acomete desde então a apelante.
(…)
Consigno que o ponto era um ponto externo e não interno, como esclarecido pelo perito às fls. 176 – quesito 2 da apelante.
Assim, o serviço da apelada falhou inquestionavelmente, pelo menos, no momento em que a apelante, três meses depois da operação, voltou a procurar o hospital. Deveria o preposto da apelada ter feito justamente o que o médico campista fez: retirar do organismo da apelante o fio que, a esta altura, já havia causado o granuloma.
Grife-se que, até a data do laudo – agosto de 2010, ou seja, mais de três anos após a cirurgia, a apelante continuava com a infecção, como se vê da resposta ao quesito 12 às fls. 175.
Destarte, é, a meu ver, inegável o defeito na prestação do serviço da apelada e que causou à apelante graves e duradouros danos morais, com ofensa à sua saúde, à sua integridade física e, portanto, à sua dignidade.
Observa-se o quadro clínico de dor, vômitos e febre – fls. 36.

O Acórdão foi sumariado da seguinte forma:

Responsabilidade Civil Hospitalar. Responsabilidade objetiva. Comprovação do defeito do serviço. Danos morais configurados. Apelação provida.
1. Falhou o serviço da apelada ao não perceber seu preposto a presença do fio cirúrgico causador da infecção quando a apelante voltou a procurar o hospital três meses após a operação.
2. Em razão do fato, teve a apelante que submeter-se a outra cirurgia, ainda estando em tratamento.
3. Danos morais configurados.
4. Verba indenizatória que se fixa em R$ 30.000,00.
5. Apelação a que se dá provimento.
(TJ-RJ., 15ª Câmara Cível, Apelação nº 0011688-89.2008.8.19.0028, Relator Des. Horácio dos Santos Ribeiro Neto, Data de Julgamento: 29/05/2012).

10 comments for “Hospital condenado por fio de sutura esquecido no corpo de paciente

  1. rosiane Ferreira de Souza
    30 de dezembro de 2017 às 15:01

    Fiz uma cirurgia a 28 dias retiraram meu dreno que por sinal sai da clínica declamando todas e que o dreno não estava Fernando nada .estava subindo todo o líquido por cima da pele no burraco que estalou o dreno .fui ao médico ele fez a retirada e deu três pontos no retorno ele rwtirou dois a esqueceu um .isso não me dar sossego ele disse que o meu organismo vai espulsar mas não cicatriza e estou morrendo fe dor .o que eu faço?

  2. Margareth ribeiro
    17 de dezembro de 2017 às 10:28

    Olá. Fiz uma histerectomia ha 9 meses . Já algumas semanas após a relação sexual, sangrou. Fui ao médico E ele falou que era um ponto que estava inflamado. O que fazer??? Esse ponto ja não era pra ser absorvido pelo organismo pelo tempo da cirurgia???

  3. Luana
    9 de agosto de 2017 às 11:50

    Fiz uma Cesária a dois meses e estiu sentindo dor fiz ultra son e constatou uma inflamação interna e o medico disse q pode ser fio q o corpo possa estar regeitando. Comecei tomar antibiótico e ela me deu um prozo de 30 dias se nao melhorar vou ter q fazer uma pequena cirurgia.

  4. Elis regina Rodrigues da cruz
    14 de junho de 2017 às 10:02

    Fiz uma cesária na qual deu uma infecção na qual resultou granulomas com muitas dores fui no hospital e lá me internaram com urgência pos minha barriga estava preta .minha bebê estava completando três meses não pudim mais amamenta ela pos sitia muitas dores e tomei muito antibióticos já não tinha mais leite hoje ela mamá mamadeira fiquei quase 15dias no hospital internada.

  5. Elis regina Rodrigues da cruz
    13 de junho de 2017 às 16:07

    Eu fiz uma cesária quatro meses e deu uma infecção e tiver que volta pra fazer outra cirurgia fiquei no hospital por 15 dias

  6. Raquel Batista Paulo de souza
    27 de maio de 2017 às 18:55

    Vc deve procurar um outro médico. No caso um endocrinologista para te acompanhar e o outro um cirurgião de cabeça e pescoço. Pois se vc fez essa cirurgia de tireoide total e os pontos apresentaram rejeição eles precisam ser removidos poi ocorre uma reação inflamatória dando origem ao gramuloma de corpo estranho,necessitando de outra cirurgia para a sua retirada.Pois provocam dor ou desconforto e favorecem a infecção.
    Boa sorte um abraço.

  7. Joel Rabelo
    14 de dezembro de 2015 às 14:40

    Fiz uma cirurgia a doze anos e a cinco anos atrás apareceu um fio azul na cirurgia e junto a isso cresceu um glanuloma o q eu faço?

  8. Maria joseilda da Silva Rodrigues
    3 de setembro de 2015 às 16:35

    Olá fiz uma cesariana há dez anos há 8 anos apareceu uma inflamação logo em seguida apareceu uma pontinha preta eu puxei e saiu uma fio preto do tamanho da cirurgia e nunca mais sarou a doutora que operou falou que tinha que fazer outra cirurgia pra retirar outros fios que o meu organismo tava recusando to sofrendo é normal o que eu faço?

  9. zilza de jesus silva neiva
    12 de março de 2015 às 19:52

    oiestou com esse problema fiz umacirurgia da retirada da tireoide total a 4 meses me sinto como estivesse intalada todo tempo fiz uma ecografia deu um granuloma fio desutura e falei com meu medico e ele disse que so vai acompanhar mais estou me sentindo mal do pescoço um incomodo horrivel o que faço me ajudem espero uma resposta urgente……zilza fone 061081564811ou 061 34750236 brasilia -df

    • 12 de março de 2015 às 20:13

      Olà; Estou com esse problema, fiz uma cirurgia de retirada de tireóide total a quatro meses, me sinto como estivesse intalada todo o tempo, fiz uma ecografia e foi constatado granuloma e fio de sutura, falei com meu medico e ele disse que so vai me aompanhar mais estou me sentindo mal do pescoço. Cinto um incomodo horrivel o que faço, me ajudem? Espero uma resposta urgente…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *